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Guerra: portugueses cortam na despesa com jogo. Santa Casa regista quebra de 40 milhões de euros

Guerra: portugueses cortam na despesa com jogo. Santa Casa regista quebra de 40 milhões de euros

Por causa da guerra os portugueses estão a gastar menos dinheiro nos jogos da Santa Casa. Em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), Paulo Sousa, revela que houve uma quebra de 40 milhões de euros de vendas nos jogos, relacionada com a forma como a guerra afetou o poder de compra.

Rosário Lira /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Ao programa Conversa Capital, o Provedor explica que o Placard e a Lotaria foram a exceção e estão a recuperar terreno em termos gerais.

Para aumentar as receitas do jogo, a Santa Casa pretende reforçar a procura através da abertura de concursos para mais mediadores. Em 2026, os mediadores deverão chegar os 5600, mais 400 do que os atuais.
Para além de reforçar os mediadores, a SCML vai criar um novo jogo, mantendo o portfolio atual. E, garante Paulo Sousa, não está previsto nenhum aumento das apostas.
Sobre as dependências ao jogo, Paulo Sousa lembra que os jogos Santa Casa representam apenas 12 por cento do total do jogo em Portugal e que os restantes são, na maioria, os jogos online mais suscetíveis de provocar dependência. Neste âmbito, refere que a Santa Casa, na sua linha de apoio à dependência, tem recebido mais pedidos de ajuda por causa dos jogos online que não são da responsabilidade da SCML.

No ano de 2025, a Linha de Apoio Jogo Responsável apresentou um total de 355 contactos, dos quais 71 foram alvo de apoio psicológico. Destes, os que corresponderam a eventuais problemas com jogo online, representaram 28,2%, sendo que eventuais problemas com a Raspadinha representaram 14,1% do total de contactos alvo de apoio psicológico.
 Aliás, Paulo Sousa admite que sejam impostas regras de conduta, mas lembra que é sobretudo no domínio do jogo ilegal que a regulação tem de atuar.
 Paulo Sousa revela que, este ano, está previsto gastar 23 milhões de euros em publicidade. 

Nesta entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, o Provedor da SCML adiantou que a instituição, no ano passado, contribuiu com 100 fogos para o programa Arrendar para Subarrendar da Câmara Municipal de Lisboa e, assegura, que continua disponível para ajudar a autarquia.
 Já em relação à área da saúde, Paulo Sousa refere que a instituição vai continuar a reforçar o seu apoio ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) com os internamentos sociais com mais 170 camas.
 O Provedor revela também que, ao nível da saúde mental, a SCML vai disponibilizar 60 vagas em residências de autonomização para doentes mentais que estão já a ser criadas.
 Paulo Sousa queixa-se da falta de mão-de-obra especializada, diz mesmo que se não forem tomadas medidas há certos serviços que poderão deixar de ser feitos e, adianta, que se não houvesse esse constrangimento a área dos cuidados continuados, do apoio ao internamento hospitalar e das residências para idosos poderiam crescer quase 50 por cento.
 Com lucros registados este ano de 43,6 milhões de euros, o maior dos últimos 17 anos, Paulo Sousa espera que 2026 seja um ano ainda melhor e que permita absorver a totalidade dos prejuízos acumulados ao longo de três anos de pandemia, cumprindo antecipadamente a meta prevista no plano de restruturação.
Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Diana do Mar, do Jornal de Negócios.
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